Resolvi visita-la, pois já estava sentindo saudades. Cheguei, e logo soube que estava internada. Precisava andar rápido.
Ela estava gravemente doente.
Uma vez lá dentro, não sairia tão cedo. Alguém trouxe um prato de comida.
Não tinha fome, mas a mulher insistiu que comesse apenas uma colher.
Engasgou com a comida que lhe enfiaram na boca. Todos saíram atrás de médicos. Peguei sua mão.
Apareceu um homem. Acho que era médico. Trouxe um aspirador de garganta inútil.
Sugou o que pode. Fora um acidente. Fazer as coisas sem amor dá sempre em acidentes.
As pessoas se agitavam mais e mais. Sabiam, como eu, o que viria.
Segurei em sua mão, e percebi que eu era a única pessoa não paga para estar ali.
Ela olhava constantemente dentro dos meus olhos já vitrificados.
Sua respiração se tornara mais e mais rara. Ela estava já cansada de viver, mas não morrera antes, porque não tinha ninguém por perto que a amava. Às vezes penso que simulou um engasgamento, só para morrer segurando minha mão e olhando em meus olhos.
Quando percebi que seu peito não se enchia mais de ar, e que seus olhos já não piscavam mais, comecei a percorrer o longo caminho para conseguir aceitar o que não se pode mudar.
Usei uma das mãos que me restava, e com os dedos em forma de V, fechei seus olhos.
Rafael Ribeiro Caponi
rafaelribcap2@hotmail.com
terça-feira, 31 de julho de 2007
Xadrez
Vamos lá, vamos lá! Não toque em sua torre. Não. Isso! Minha vez.
Se entrar com o cavalo, posso pega-lo por traz de suas defesas de peões. Ele poderia me neutralizar com duas jogadas. Não fará isso. Ameaço sua rainha se fizer isso. Perco o bispo, mas não recuo. Ele não está pensando nisso. É lento.
Droga. Poucos segundos para acabar a jogada. O tempo. Ele me ameaça pelo canto esquerdo. Se tentar me defender, perco o ataque. Atacar. Devo atacar. O ataque é a melhor defesa. Avance o cavalo. Droga, aonde vai com esse bispo?
Tire os olhos daí. Cinco possibilidades claras. O que está armando? Nenhum movimento é inútil e impensado. Um Roque! Tarde demais, como não pude ver isso? Já não tenho mais rainha, mas tenho duas torres. Perderá uma com a jogada. Quanta falta de atenção.
Um peão ameaçará duas peças caso se mova. Devo antecipar essa jogada. Agora pego sua rainha. Ou a rainha, ou o rei. Não tem opção. Mais duas peças perdidas, uma torre e um cavalo.
Poucas peças. Ele é inteligente. Não posso perder. Sobraram apenas cinco peões e alguns cavalos e bispos. Encontraremos-nos no meio. Avanço o rei. Ele tem que lutar agora. O cavalo me ameaça, se fugir perderá. Um garfo inesperado! Maldito peão!
Tenho que fugir. Perderei se meu ultimo peão se for. Seu peão, diferentemente do meu, virou dama!
Ele vem para cima! Meu ultimo peão chega e transforma-se em dama. Uma jogada e faço xeque. Longe de ser mate. Morrem as rainhas ressuscitadas. Agora só dois reis e dois bispos. Um das casas pretas e outro das brancas. Nunca me pegará, andarei nas casas pretas apenas.
O jogo não terá fim, devo propor empate? Maldito, ganhará pelo tempo. Tem dez segundos de vantagem. Rápido! Devo me mover e pensar como nunca antes! A vantagem diminui para dois segundos. Vale o título.
O que aconteceu? Porque está pensado? Não pense. Perderá se pensar. Pensar consome tempo. Mais de cinqüenta jogadas por minuto. O tempo! Mais rápido! Vamos! O cronômetro não erra. Vamos lá!
Soa o time over. Não sei quem ganhou este jogo, só sei que o jogo foi ridículo. Não me interessa ganhar pelo tempo. Não sou velocista.
Jogar contra russo é um saco.
Rafael Ribeiro Caponi
rafaelribcap2@hotmail.com
Se entrar com o cavalo, posso pega-lo por traz de suas defesas de peões. Ele poderia me neutralizar com duas jogadas. Não fará isso. Ameaço sua rainha se fizer isso. Perco o bispo, mas não recuo. Ele não está pensando nisso. É lento.
Droga. Poucos segundos para acabar a jogada. O tempo. Ele me ameaça pelo canto esquerdo. Se tentar me defender, perco o ataque. Atacar. Devo atacar. O ataque é a melhor defesa. Avance o cavalo. Droga, aonde vai com esse bispo?
Tire os olhos daí. Cinco possibilidades claras. O que está armando? Nenhum movimento é inútil e impensado. Um Roque! Tarde demais, como não pude ver isso? Já não tenho mais rainha, mas tenho duas torres. Perderá uma com a jogada. Quanta falta de atenção.
Um peão ameaçará duas peças caso se mova. Devo antecipar essa jogada. Agora pego sua rainha. Ou a rainha, ou o rei. Não tem opção. Mais duas peças perdidas, uma torre e um cavalo.
Poucas peças. Ele é inteligente. Não posso perder. Sobraram apenas cinco peões e alguns cavalos e bispos. Encontraremos-nos no meio. Avanço o rei. Ele tem que lutar agora. O cavalo me ameaça, se fugir perderá. Um garfo inesperado! Maldito peão!
Tenho que fugir. Perderei se meu ultimo peão se for. Seu peão, diferentemente do meu, virou dama!
Ele vem para cima! Meu ultimo peão chega e transforma-se em dama. Uma jogada e faço xeque. Longe de ser mate. Morrem as rainhas ressuscitadas. Agora só dois reis e dois bispos. Um das casas pretas e outro das brancas. Nunca me pegará, andarei nas casas pretas apenas.
O jogo não terá fim, devo propor empate? Maldito, ganhará pelo tempo. Tem dez segundos de vantagem. Rápido! Devo me mover e pensar como nunca antes! A vantagem diminui para dois segundos. Vale o título.
O que aconteceu? Porque está pensado? Não pense. Perderá se pensar. Pensar consome tempo. Mais de cinqüenta jogadas por minuto. O tempo! Mais rápido! Vamos! O cronômetro não erra. Vamos lá!
Soa o time over. Não sei quem ganhou este jogo, só sei que o jogo foi ridículo. Não me interessa ganhar pelo tempo. Não sou velocista.
Jogar contra russo é um saco.
Rafael Ribeiro Caponi
rafaelribcap2@hotmail.com
segunda-feira, 30 de julho de 2007
Desespero
Pediu quinze dias de férias, pois andava muito cansado. O serviço de diretor de multinacional cansa qualquer pessoa. Cansou tanto, que resolveu viajar para um local no interior a fim de se dedicar um pouco à pescaria. Seria o lugar perfeito para descansar, pois lá o celular não funciona, e a internet ainda é coisa desconhecida. Sua mulher, que nunca vira um peixe vivo fora de aquário, não iria. Ela gostava de ler. Assinava muitas revistas e cuidava das plantas do jardim.
A empresa tinha vários acionistas que confiavam em suas decisões. Ele próprio era um deles.
Em casa, disse para a mulher:
--- Estou cansado e pedi uns dias para a empresa. Não aquento mais.
--- E o que você pretende fazer nesses dias? Perguntou a mulher curiosa.
--- Pensei em pescar no rio descanso feliz. Não é muito longe. O primo sabe chegar lá sem ajuda de mapa.
--- Você merece. Precisa mesmo descansar. Trabalha muito. Concluiu.
Virou a Chave da ignição. Quatro dias de liberdade!
Seu Jeep era muito sofisticado, tinha bússola embutida no painel e até tração 4X4. Indispensáveis apetrechos para quem anda diariamente na cidade
Alugou um quarto simples no hotelzinho da cidade. Pela manhã sairia para pescar.
Arremessou com força o anzol e sentou-se em sua cadeira de praia. Achava muitíssimo emocionante aquilo. Nada nem ninguém. Apenas ele, o rio, o primo, e as varas de molinete.
Descansou bastante, e no final do terceiro dia, preparava-se para voltar. Já estava bom. Hora de voltar para a selva.
Aconteceu que, no meio da viagem, quando o no service desapareceu do visor de seu celular, recebeu uma mensagem que lhe chamou a atenção: “Você recebeu 32 ligações de (11) 9252-1366 que não deixou recado na secretária”. Retornou a ligação.
--- Alô, quem fala? Perguntou.
--- Você é louco? Onde esteve? Não consigo te achar. Onde você está agora? Passa no escritório antes de tudo!Rápido!
Atordoado, desligou o celular, afinal, estava dirigindo.
Esse povo não sabe respeitar o descanso da gente. Pensa que empregado é escravo.
Apertou o botão do elevador. A porta se abrira e chegou ao escritório. A secretária lhe avistou e pediu que entrasse rapidamente na segunda sala à esquerda.
--- Olhe para isso! E apontou para a tela do computador.
O monitor exibia uma linha de gráfico, que indicava a cotação, em tempo real, do valor em que as ações da empresa estavam sendo negociadas.
Era uma catástrofe. E ele fora contratado para que nunca deixasse aquilo acontecer. Ficou pálido. Inevitavelmente, seria demitido. Tinha apenas cinco meses na empresa. Não teria nem seguro desemprego. Precisava vender suas ações. Rápido! Ele também era acionista da empresa. Seu dinheiro se metamorfoseava rapidamente em poeira. Correu até sua sala, ligou o computador. Entrou no site que administra suas ações. “Confirma o resgate total das ações?” Perguntava uma ultima janela. A tela do computador se apagou. Um caminhão batera no poste que alimentava o prédio.
Após dar cinco murros na porta do elevador, concluíu que ele não viria. A luz acabara. Voou escada a baixo. Tinha poucos minutos para se encerrar o pregão. Pegou o Jeep e chegou em casa. Tirou a chave do bolso. Abriu a porta e entrou correndo. Tinha cinco minutos. Ligou o computador e esperava o Windows carregar.
Começou escutar um barulho esquisito vindo do seu quarto. Subiu a escada com passos leves e abriu a porta. Vitrificou.
Sua mulher estava dividindo a cama com o jardineiro, com o limpador de piscinas e com o carteiro. Era, sem dúvida alguma, um sexo grupal.
Existem vários tipos de corno. Ele não era manso. Desceu até o escritório, e enquanto lutava para se lembrar o segredo do cofre, pensava em quantas balas gastaria.
Uma para o carteiro, uma para o limpador de piscinas e uma para o jardineiro. Três balas. Sua arma tinha seis tiros. Seria suficiente. Engatilhou-a. Correu para o quarto. Disparou o primeiro tiro. O segundo. O terceiro. O quarto. Era um seqüestro emocional completo, que se amenizou com o quinto tiro, que acertara o jardineiro, e que o fez cair morto no carpete branco. Os outros escaparam, um pela janela, outro pela porta da frente mesmo, pois sabia que nessas horas, deve-se fugir com pouca roupa mesmo.
Se escapassem, chamariam a polícia. Entrou no carro. Pisou fundo no acelerador. Os mataria atropelados. Um corria pela calçada apenas de cueca. Colocou duas rodas encima da guia. Apareceu uma viatura policial.
Desceu da calçada com o carro, e instintivamente acelerou forte pela avenida. Os pneus gritaram. Fim da linha.
O policial agora caminhava com passos nervosos.
Acompanhava-o pelo retrovisor. Abriu rapidamente a porta do carro e apontou a arma para o guarda. Tinha ainda uma bala.
O guarda, que não esperava pela reação, não quis ir tão longe para multar um indivíduo que transitara alguns metros numa calçada, tentando atropelar pessoas que andam de cueca na rua. Ele poderia ser um puritano ou algo assim. Levantou as mãos e rendeu-se.
Enquanto colocava o inocente guarda sobre a mira de sua arma, lembrou de muitas coisas, menos que se fosse preso, ficaria em cela especial. Cochilara nas aulas de noções do Direito.
Lembrou-se de uma matéria jornalística que viu na televisão, e que mostrava a realidade nos presídios. Lá existe estupro grupal. Com certeza, passaria a ter dificuldades para se sentar.
Começou pensar em muitas pessoas dividindo uma pequena cela por muitos anos, afinal, lembrava-se que matou um dos amantes de sua mulher.
Recordou-se também que ficaria desempregado e que não teria direito ao seguro desemprego. Lembrou também que perdeu tudo na bolsa de valores. Lembrou-se que sua família acabara, e por fim, lembrou-se do mais grave de tudo: morreria corno.
Colocou o cano da arma na boca e puxou o gatilho.
Rafael Ribeiro Caponi
rafaelribcap2@hotmail.com
Catedral
Catedral
Estava andando no centro de Campinas. Tinha que gastar alguns minutos, pois meu compromisso era dali uma hora.
Entrei na catedral de Campinas.
Coisa esquisita aquilo. Uma construção antiga, com entalhe e mais entalhe em madeira.
Gente entrava para rezar, para dormir ou para não fazer nada, igual a mim.
Uma placa dava uma ordem: "visite a cripta". Obedeci intuitivamente. Sala de mármore branco todo mal conservado, com uns esqueletos podres do lado de lá do mármore.
Imaginei que seria um lugar diferente, maior, quem sabe. Desiludido, resolvi sair de lá.
E se tiverem que derrubar essa Igreja? Uma avenida, ou mesmo pra fazer outra Igreja. As pessoas nunca erguiam outra igreja com bingo.
Não sei se foi com bingo. Em algumas cidades, pelo menos é. Mas o dinheiro não vem, hoje em dia de bingo, mesmo porque bingo vira e meche está proibido.
Pensei que tudo aquilo poderia cair na cabeça de alguém um dia, afinal, todas as construções tem prazo de validade. Esqueci desses pensamentos, um pouco desconexos e resolvi explorar o lugar.
Andei em direção à capela onde tem uma luz vermelha que não se apaga porque ninguém apaga. Veio-me em mente que deveria ajoelhar.
Não sabia ao certo o porquê. O chão estava muito longe. Já não me lembrava direito como é que se ajoelha. Acho que deve doer o joelho. É, dói sim. A calça. Suja a calça. Outra hora eu ajoelho. Agora não. Entrei sem ajoelhar mesmo. Fui entrando pelo corredorzinho com tapete vermelho nitidamente desgastado. Decidi sentar lá na frente e ver o que acontece.
Não vi nada, porque não acontecia mais nada.
Lembro-me que antigamente, eu sentava em locais assim, e acontecia muita coisa.
Uma vez, por exemplo, me lembro que sentei assim, nesse tipo de lugar por horas tentando discutir com alguém, mesmo sozinho, o que eu faria da minha vida. Conversa ia, conversa voltava e se resolvia muita coisa. Esse alguém não estava mais lá.
O curioso é que não importa muito o fato. Fique esperando um pouco. Nada.
Acho que nesse nível de anestesia de espírito, não se conversa com ninguém quando se está sozinho. Alguém que não seja eu mesmo - quero dizer.
Talvez uma fumaça. Um raio que caísse do meu lado, para que pelo menos pudesse interpretar como uma mensagem divina. Mas nada.
É possível que se olhe para a plantação de trigo e não lembre mais dos cabelos dourados? Sinceramente não sei.
Sai, e mais uma vez fingi que não lembrei que tinha que ajoelhar para sair. Ninguém percebeu mesmo.
Uma vez um amigo do meu pai me disse que visitou um lugar em Jerusalém, onde não podia das às costas para o santíssimo, tinha que sair de ré até certo ponto.
Deve ser muito ruim ter que sair de ré, em um lugar onde você nem conhece direito. Veio-me em mente a imagem de um retrovisor. Sim, até bicicleta tem esses equipamentos...
Sai da Igreja e encontrei uma pessoa gritando lá fora, com a bíblia nas mãos. Uma vez fui falar com um sujeito desses. Era um homem barbudo. Eu tinha muito assunto importante para falar com ele. Não me lembro o que, só sei que era muito importante. Não me interessei em ir lá. Entrei numa livraria.
Encontrei um livro de Nietsche que falta em minha coleção. Desisti da compra. Eu não o leria.
Rafael Ribeiro Caponi
rafaelribcap2@hotmail.com
Estava andando no centro de Campinas. Tinha que gastar alguns minutos, pois meu compromisso era dali uma hora.
Entrei na catedral de Campinas.
Coisa esquisita aquilo. Uma construção antiga, com entalhe e mais entalhe em madeira.
Gente entrava para rezar, para dormir ou para não fazer nada, igual a mim.
Uma placa dava uma ordem: "visite a cripta". Obedeci intuitivamente. Sala de mármore branco todo mal conservado, com uns esqueletos podres do lado de lá do mármore.
Imaginei que seria um lugar diferente, maior, quem sabe. Desiludido, resolvi sair de lá.
E se tiverem que derrubar essa Igreja? Uma avenida, ou mesmo pra fazer outra Igreja. As pessoas nunca erguiam outra igreja com bingo.
Não sei se foi com bingo. Em algumas cidades, pelo menos é. Mas o dinheiro não vem, hoje em dia de bingo, mesmo porque bingo vira e meche está proibido.
Pensei que tudo aquilo poderia cair na cabeça de alguém um dia, afinal, todas as construções tem prazo de validade. Esqueci desses pensamentos, um pouco desconexos e resolvi explorar o lugar.
Andei em direção à capela onde tem uma luz vermelha que não se apaga porque ninguém apaga. Veio-me em mente que deveria ajoelhar.
Não sabia ao certo o porquê. O chão estava muito longe. Já não me lembrava direito como é que se ajoelha. Acho que deve doer o joelho. É, dói sim. A calça. Suja a calça. Outra hora eu ajoelho. Agora não. Entrei sem ajoelhar mesmo. Fui entrando pelo corredorzinho com tapete vermelho nitidamente desgastado. Decidi sentar lá na frente e ver o que acontece.
Não vi nada, porque não acontecia mais nada.
Lembro-me que antigamente, eu sentava em locais assim, e acontecia muita coisa.
Uma vez, por exemplo, me lembro que sentei assim, nesse tipo de lugar por horas tentando discutir com alguém, mesmo sozinho, o que eu faria da minha vida. Conversa ia, conversa voltava e se resolvia muita coisa. Esse alguém não estava mais lá.
O curioso é que não importa muito o fato. Fique esperando um pouco. Nada.
Acho que nesse nível de anestesia de espírito, não se conversa com ninguém quando se está sozinho. Alguém que não seja eu mesmo - quero dizer.
Talvez uma fumaça. Um raio que caísse do meu lado, para que pelo menos pudesse interpretar como uma mensagem divina. Mas nada.
É possível que se olhe para a plantação de trigo e não lembre mais dos cabelos dourados? Sinceramente não sei.
Sai, e mais uma vez fingi que não lembrei que tinha que ajoelhar para sair. Ninguém percebeu mesmo.
Uma vez um amigo do meu pai me disse que visitou um lugar em Jerusalém, onde não podia das às costas para o santíssimo, tinha que sair de ré até certo ponto.
Deve ser muito ruim ter que sair de ré, em um lugar onde você nem conhece direito. Veio-me em mente a imagem de um retrovisor. Sim, até bicicleta tem esses equipamentos...
Sai da Igreja e encontrei uma pessoa gritando lá fora, com a bíblia nas mãos. Uma vez fui falar com um sujeito desses. Era um homem barbudo. Eu tinha muito assunto importante para falar com ele. Não me lembro o que, só sei que era muito importante. Não me interessei em ir lá. Entrei numa livraria.
Encontrei um livro de Nietsche que falta em minha coleção. Desisti da compra. Eu não o leria.
Rafael Ribeiro Caponi
rafaelribcap2@hotmail.com
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